Alguns leitores ficaram curiósos sobre o proceso de escolha dos Top Ten na ExpoVinis 2008.
Assim para esclarecer estas dúvidas reporduzo os trechos da Matéria publicada na coluna do Marcelo Copello, na Gazeta Mercantil, com o título “Os campeões da Expovinis 2008″, que creio retrata bem a competição.
Quanto a organização da competição do Top Ten da ExpoVinis, Marcelo escreve em sua coluna “A Expovinis Brasil chegou a sua 12ª edição entre segunda e quarta desta semana e um dos destaques do evento foi a eleição dos “Top Ten”, em sua 3ª edição, aperfeiçoada a cada ano. Em 2008 13 jurados testaram às cegas 157 vinhos enviados pelos expositores. Cada expositor teve o direito de enviar duas amostras de sua escolha, para concorrer nas 10 categorias.”
Ele ainda apresenta a composição do Juri, composta por “… José Ivan Santos e presidência do júri de Jorge Lucki (que não participaram da degustação dos vinhos). O júri internacional foi composto Fabrício Portelli (Argentina) e Héctor Riquelme (Chile), Jorge Carrara (Folha de São Paulo), José Maria Santana (Gula), Daniel Pinto (SBAV-SP), Gustavo de Paulo (ABS-SP), Ricardo Farias (ABS–RJ), Gerson Lopes (ABS-MG), Marcio Oliveira (SBAV-MG), José Luiz Pagliari (SBAV–SP), Roberto Gerosa (Veja), Manuel Beato (Sommelier do Fasano)…” e ele mesmo, Marcelo Copello.
A Coluna ainda faz um breve relato de cada categoria
“Espumantes – esta categoria contou com 15 concorrentes de muito bom nível, mas uma das amostras se destacou e venceu com larga margem, quase unânime. O único Champagne da disputa levou o prêmio com louvor, o Drappier La Grande Sendrée 2000 (Zahil, R$ 278). Elaborado com 45% Chardonnay e 55% Pinot Noir, permanece 6 anos com suas borras. Amarelo palha com reflexos dourados, perlage perfeita, muito pequena e abundante. Aromas muito típicos dos champagnes com longo tempo sur lie, com notas de fermentos, brioches, frutas cristalizadas, mel, pão torrado. Paladar de acidez crocante, aguda, ótima cremosidade e complexidade. Para guarda. 93/100
Sauvignon Blanc – esta foi a categoria com menos inscrições, apenas 5 vinhos competiram. Assim como no ano passado o vencedor foi um chileno da região de Casablanca. Em 2007 o troféu foi para o Sauvignon Blanc da William Cole, e este ano para o “Casa del Bosque Reserva 2007”, importado pela Obra Prima, que levou meu voto, assim como de outros 6 jurados. O vencedor mostrou cor amarelo palha claro e brilhante com reflexos esverdeado, aromas de ótimo ataque e tipicidade, com ervas frescas, grama cortada e a característica nota de “gooseberry” (groselha branca). Paladar com bom equilíbrio entre frescor e maciez. 87/100
Chardonnay – esta foi a categoria contou com 9 concorrentes e teve uma surpresa como vencedor, o brasileiro Cordilheira de San’tana Reserva Especial 2005, da Campanha Gaúcha (R$ 42), de cor amarelo dourado claro e brilhante, aromas frutados e delicados, mas sem muita expressão ou definição. Paladar magro e com algum amargor no final, curto, no conjunto é bem equilibrado e agradável. 80/100
Nesta categoria meu voto, no entanto, foi para o 2º colocado (perdeu por 1 voto), o chileno De Martino Chardonnay Single Vineyard 2006 – com nariz intenso, fruta madura, boa madeira que aparece bastante, mel, tostados, manteiga, paladar encorpado, equilibrado, com fim mineral. 89/100
Branco outras castas – poucos vinhos também nesta categoria, apenas 6, mas a decisão do júri foi bem segura ao escolher ao o australiano Petaluma Hanlin Hill Riesling 2005 (KMM, R$ 118), com linda cor amarelo palha com reflexos esverdeados. Aromas de boa complexidade com florais, laranjas, anis, minerais, com característico toque de petróleo, querosene. Paladar encorpado, boa acidez com toque oleoso típico da casta, com 13% de álcool, muito longo com leve e agradável toque amargo no fim de boca. Com estrutura para guarda. Produzido em Clare Valley pelo enólogo Brian Croser, um dos grandes enólogos daquele país. 88/100
Rosés – esta categoria foi bem disputada, com 15 amostras de bom nível. Aqui a escolha foi bem definida e não houve surpresa mas sim um fato inédito – o vencedor foi, às cegas e dentre tantos, o mesmo vinho do ano passado (em uma nova safra). Em 2007 tivemos como vencedor o provençal Château de Pourcieux 2006 e, mostrando sua consistência, este ano ganhou o Château de Pourcieux 2007 (Cantú, R$ 65), com todo o mérito. Elaborado com 60% Syrah, 20% Grenache e 20% Cinsault, mostrou cor entre rosa e casca de cebola. Aromas muito elegantes de flores (rosas) e frutas (morangos), toque balsâmico de mentol. Paladar leve, fresco e macio, com 12,5%, muito bem equilibrado, fruta agradável aparece na boca, delicioso. 84/100.
Tintos Nacionais – a categoria mais concorrida do ano com, 39 vinhos. Eu pessoalmente esperava um nível melhor, pois muitos dos vinhos eram de qualidade inferior, com erros graves em sua elaboração, o que mostra que embora o vinho brasileiro tenha evoluído, a qualidade ainda não está disseminada entre muitos produtores (com exceção dos espumantes). Venceu o nordestino Rio Sol 2006, que levou meu voto. Elaborado com Cabernet Sauvignon e Syrah, é rubi violáceo muito escuro, mostra aroma de fruta negra muito madura, violetas, geléias. Paladar de médio corpo, com bom equilíbrio, boa acidez e maciez. Agradável e bem elaborado. 82/100
O 2º lugar foi do recém lançado Marson Gran Reserva Cabernet Sauvignon 2004, que acompanho a várias safras sempre com elogios. Elegi seu 2002 como um de meus “Melhores do ano-2007” de Gazeta Mercantil.
Tintos Castas Bordalesas – 12 rótulos concorreram aos troféu dos vinhos elaborados com uvas bordalesas (Cabernet Sauvognon, Cabernet Franc e Merlot). Foi notado às cegas o predomínio de vinhos do Novo Mundo, com maciez alcoólica prevalecendo sobre uma melhor acidez e equilíbrio dos vinhos clássicos europeus. Neste contexto um argentino acabou levando a melhor (embora sem meu voto), o Urano Cabernet Sauvignon 2006, da bodega Eral Bravo de Mendoza (ainda sem importador). 100% Cabernet Sauvignon, amadurecido 12 meses em barricas francesas (70%) e americanas (30%). Vermelho granada escuro com reflexos violáceos. Aromas onde fruta ultra madura e caráter vegetal se destacam, com musgo, terra molhada, café, azeitona preta, além de notas típicas da casta (cassis, amoras, frescor de ervas). Paladar de bom corpo, bastante macio, acidez moderada, com taninos doces, longo com toque de tostado no fim de boca. 86/100
Tintos Novo Mundo – 24 vinhos brigaram pelo troféu nesta etapa. Assim como no ano passado a força do Shiraz da Austrália se impôs. Em 2007 o The Octavius 2001 humilhou a concorrência, e este ano foi a vez do Kilikanoon Covenant Shiraz 2004 (Decanter, R$ 235,80) subir ao pódio. 100% Shiraz, amadurecido 22 meses em barricas de 300 litros 80% francesas e 20% americanas. Cor quase roxa, violácea muito escura. Aromas complexos e intensos de muita fruta e madeira bem amalgamadas e bem definidas, com ameixas, amoras, tostados, frescor balsâmico de ervas, defumados, terra molhada, chocolate. Paladar de grande estruturado, taninos volumosos e muito finos, doces, muito longo, para longa guarda. O Clare Valley proporciona shirazes que aliam grande estrutura com um frescor comum aos Rieslings da região. 93/100
Tintos Velho Mundo – 23 vinhos participaram desta que foi a escolha mais difícil, dado o altíssimo nível das amostras. Esta foi sem dúvida a categoria mais disputada, com grandes vinhos. O vencedor foi identificado às cegas por vários jurados como sendo um português contendo a uva Touriga Nacional. Bons vinhos não negam sua origem e assim foi: the winner is Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo Grande Reserva Douro 2005 (Vinea Store, 92/100).
Doces e Fortificados – aqui também o nível dos participantes (9 vinhos) foi excepcional. O júri deu o primeiro lugar para um excelente vinho doce botrytizado, que para alguns jurados, às cegas, tratava-se de um Sauternes. Na hora do resultado para muitos a surpresa, mas não para mim, pois o campeão – Grandjó Late Harvest 2005, foi de meus “Melhores do ano-2007” em Gazeta Mercantil.
Grandjó Late Harvest 2005, Real Companhia Velha, Douro- Portugal, (Barrinhas, R$ 120 por por 375ml). Elaborado com a uva Sémillon, parcialmente amadurecido em barris de carvalho novo. Amarelo dourado claro, brilhante. Aromas de boa intensidade, lembrando geléia de laranja, frutas cristalizadas, pêssego, pêra, terra molhada, toque de glicerina, amêndoas. Paladar denso, aveludado, elegante, de meio-doce a doce, boa acidez, ótimo equilíbrio, com 12% de álcool. Um excelente vinho de sobremesa, melhor “Late Harvest” de Portugal. 89/100″
Esta parte reproduzi na integra por achar que bem retrata o processo de seleção do TopTen da ExpoVinis 2008.
Artigo retirado da Coluna de Marcelo Copello da Gazeta Mercantil. Marcelo Copello é editor-chefe do site www.mardevinho.com.br e da revista ADEGA, articulista internacional, autor de livros. mcopello@gazetamercantil.com.br
