Sempre acho louvável boas iniciativas que divulguem o Vinho Nacional e ao mesmo tempo criem qualidade ao consumidor separando o joio do trigo.
Uma Distribuidora, a Saint VinSaint, está se preparando para lançar selo D.O. Brasil, que significa “Denominação de Origem Brasil”.
Em muito paises este tipo de selo ajuda o consumidor na hora da compra pois dá a ele uma referência de origem do produto, que no caso do Vinho se traduz em geral em qualidade.
Segundo a proprietária, Lis Cereja, o Brasil ainda é um lugar pouco explorado no território do Vinho. “Temos o segundo melhor terroir do mundo para produção de espumantes e alguns de nossos tintos já batem em qualidade muitos dos nossos vizinhos chilenos e argentinos”, ela defende, e continua “Temos enólogos e vinícolas que estão em níveis de qualidade comparados a qualquer grande terroir do mundo, além de produtos específicos que conseguem capturar o essencial do solo brasileiro”.
O fato é que se o consumidor se depara com vinhos Nacionais ruins, isso cria um preconceito em relação aos rótulos nacionais, e assim a idéia de um selo de origem aparece como um serviço valioso ao consumidor.
Segundo a empresária “O cenário mudou tanto que nossa idéia é lançar no mercado, em breve, uma campanha intitulada D.O. Brasil, que significa “Denominação de origem Brasil”, justamente para estimular vinhos brasileiros de terroir.
A Distribuidora cita ainda a opinião de alguns espcialistas sobre o assunto, que decidi incluir neste artigo pois acho que ajudam você, consumidor, a formar sua opinião sobre o assunto.
“O vinho brasileiro, nos últimos anos, viveu mudanças que marcaram época. Antigamente, o vinho não era considerado prioritário na cultura brasileira. Hoje em dia ele é objeto do interesse geral. O ingresso maciço da tecnologia, a formação de técnicos e o desejo de conquistar os mercados fizeram com que houvesse um salto de qualidade nos produtos brasileiros. Hoje, não somente os espumantes, mas também importantes vinhos tintos brasileiros surgem no mercado internacional, com capacidade para enfrentar a comparação com os grandes vinhos do mundo.”
Roberto Rabachino, jornalista e sommelier italiano, autor de 11 livros sobre enogastronomia
“Nossos espumantes já são reconhecidos como referência mundial de qualidade. Nos tintos, o Merlot e os cortes bordaleses quebram qualquer resistência dos consumidores mais exigentes. Dou meu voto de confiança aos brancos, pois pequenas obras primas já começaram a despontar nesse mercado, e certamente este é um dos grandes potenciais do país.“
Walter Tommasi, jornalista, enófilo e artista plástico
“O vinho nacional esteve por longo tempo condicionado aos vinhos de mesa (uvas americanas e híbridas) e aos vinhos finos de vinífera, que não eram tão finos assim, por falta de trabalhar o binômio vinhedo x clima. Desde a década de 1990 esta mentalidade vem mudando; no bojo da mudança estão as novas vinícolas e aquelas que se renovaram. O mais importante: todos os empresários vitivinícolas de sucesso passaram a acreditar na exploração dos verdadeiros terroirs brasileiros para vinhos de qualidade. Enquanto alguns grandes produtores mundiais de vinho estão aplicando esforços para produzir um vinho enganoso, à base de chips e aduelas de carvalho, o Brasil pode oferecer vinhos da Campanha Gaúcha, da Serra do Sudeste, de Pinto Bandeira, de Muitos Capões, das altitudes catarinenses e assim por diante. O tempo, a razão e a verdade mostrarão com cristalina clareza que os terroirs brasileiros de reais méritos vencerão e terão o respeito da comunidade enológica internacional.”
Sergio Inglez de Sousa, jornalista, enófilo e autor de diversos livros sobre o assunto
“Além do salto qualitativo que conseguimos nos últimos anos, não devemos esquecer a importância econômica, política e social trazida pelo consumo dos produtos nacionais, como, por exemplo, os empregos e tributos que esse setor gera para a economia brasileira.”
André Dreher Giovannini, vinícola Don Giovanni, Pinto Bandeira
